Fraude corporativa com IA generativa; a defesa está na gestão de identidade

gestão de identidade e acesso

Vídeos e áudios falsificados por inteligência artificial já enganam até executivos e gestores experientes

A cena parecia legítima. Um diretor financeiro recebe uma chamada de vídeo do próprio presidente da empresa. Na ocasião, ele pede a liberação urgente de uma transferência bancária fora do processo habitual. A voz, o rosto e o tom eram muito convincentes. No entanto, o problema é que nada daquilo era real.

Casos como esse, construídos com vídeos e áudios falsificados por Inteligência Artificial (IA) generativa, estão cada vez mais comuns na nova geração de fraudes corporativas. Por essa razão, combater esse tipo de ameaça exige das empresas uma sólida gestão de identidade e acesso, que difere bastante do que funcionava até pouco tempo atrás.

Como a IA generativa mudou a engenharia social

Ferramentas capazes de clonar vozes e gerar vídeos de alta fidelidade tornaram-se amplamente acessíveis. De fato, isso ampliou o alcance de fraudes conhecidas como comprometimento de e-mail corporativo, onde um criminoso se passa por um executivo ou fornecedor para autorizar pagamentos indevidos. Com efeito, estudos do setor apontam que o volume de ataques de phishing direcionados a credenciais corporativas cresceu mais de 3.000% nos últimos anos, impulsionado pelo uso de inteligência artificial na criação desses golpes.

Além disso, esses ataques deixaram de depender de e-mails malfeitos, cheios de erros de português ou formatação estranha. Na prática, a comunicação fraudulenta hoje reproduz com precisão o tom de voz, o vocabulário e até os hábitos de comunicação de diretores, fornecedores e parceiros de negócio reais.

O risco que nasce dentro da própria empresa

Paralelamente às ameaças externas, cresce um problema interno conhecido como uso não autorizado de inteligência artificial, quando colaboradores utilizam ferramentas de IA generativa sem qualquer supervisão da área de TI. Sem dúvida, sem uma correta gestão de identidade e acesso, essas ferramentas se tornam portas de saída indesejadas para informações confidenciais.

Nesse contexto, alguns dados do setor acendem o alerta para as empresas:

  • Cerca de 20% das violações de dados registradas já envolvem o uso não autorizado de ferramentas de inteligência artificial dentro das empresas.
  • O custo adicional médio provocado por esse tipo de incidente chega a R$ 3,4 milhões por ocorrência.
  • Praticamente 97% das empresas atingidas por esse tipo de violação não tinham políticas rígidas de gestão de identidade e acesso.
  • 63% das organizações ainda não possuem qualquer política formal de governança para uso de inteligência artificial.

Desse modo, esses números mostram que, muitas vezes, a ameaça vem do próprio ambiente interno que, sem regras claras, cria a vulnerabilidade que será explorada mais tarde.

Por que a autenticação tradicional já não é suficiente

Modelos de autenticação baseados apenas em senha e em códigos enviados por SMS ou aplicativo, prática ainda comum, mostram-se cada vez mais vulneráveis. Sabemos que ataques do tipo adversário no meio, em que o criminoso intercepta a comunicação entre usuário e sistema em tempo real, conseguem contornar essas camadas com relativa facilidade, principalmente quando combinados com identidades falsificadas por inteligência artificial.

Por conseguinte, confiar apenas em senha e em um segundo fator simples deixou de ser garantia de proteção. Dessa maneira, a pergunta que as empresas precisam responder não é mais se o usuário digitou a senha certa, mas se aquele comportamento, naquele contexto, é coerente com quem essa pessoa realmente é.

Gestão de identidade como linha de defesa central

Diante desse cenário, a gestão de identidade e acesso passa a ocupar o centro da estratégia de defesa. Soluções modernas, como o Microsoft Entra ID, permitem estabelecer autenticação adaptativa baseada em risco, avaliando continuamente sinais de comportamento antes de conceder ou negar acesso.

Entre os recursos que fazem diferença prática estão a autenticação multifator resistente a phishing, que não depende de códigos que podem ser interceptados, e políticas contextuais capazes de identificar solicitações incomuns, como uma tentativa de login vinda de um país nunca antes utilizado por aquele usuário. 

Combinadas, essas camadas tornam muito mais difícil que uma fraude baseada em identidade falsificada avance até causar dano financeiro.

Identidade é o novo perímetro

Se antes a segurança corporativa se apoiava na proteção de uma rede física, hoje ela se apoia na certeza de que cada identidade que solicita acesso é, de fato, quem afirma ser. Ao mesmo tempo, diante de ferramentas de inteligência artificial cada vez mais sofisticadas, o rigor técnico na gestão de identidade e acesso passou a ser condição de sobrevivência para operações críticas.

Empresas que ainda tratam autenticação como formalidade, e não como estratégia, ficam mais expostas exatamente ao tipo de fraude que mais cresce no cenário atual. Repensar esse pilar, portanto, tornou-se tão urgente quanto revisar qualquer outro processo financeiro sensível da organização.

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