Passkeys e biometria corporativa prometem eliminar a principal porta de entrada de ataques cibernéticos
Toda empresa já viveu a cena em que um colaborador esquece a senha de acesso. Na ocasião, ele aciona o suporte de TI, espera a redefinição e perde parte da manhã de trabalho por causa disso. De fato, multiplicado por dezenas ou centenas de funcionários, esse pequeno incômodo vira um custo relevante no longo prazo, tanto em tempo quanto em dinheiro.
Mais grave que isso, porém, é o papel que as senhas continuam ocupando na maioria dos ataques cibernéticos bem-sucedidos. Por essa razão, diante desse duplo problema, operacional e de segurança, a autenticação sem senha deixou de ser promessa futurista. Na prática, ela passou a ser uma tecnologia madura, adotada em ritmo crescente por empresas de todos os portes.
Por que a senha se tornou o elo mais fraco
Credenciais roubadas, reutilizadas em vários sistemas ou simplesmente fracas continuam presentes em parcela expressiva das violações de dados registradas globalmente. Além disso, para além do risco direto de segurança, a gestão de senhas impõe um fardo operacional constante às equipes de tecnologia. Isso ocorre porque os times precisam lidar com solicitações repetitivas de redefinição todos os dias.
Nesse contexto, dados do mercado ajudam a ilustrar esse cenário crítico:
- Entre 20% e 50% de todos os chamados abertos junto à TI estão relacionados a redefinição de senha.
- Cada solicitação de redefinição custa, em média, entre R$350 e R$500 para a empresa, considerando tempo de suporte e produtividade perdida.
- Senhas tradicionais resistem a ataques de phishing sofisticados em apenas 15% a 30% dos casos, taxa considerada baixa para os padrões atuais.
Desse modo, diante desses números, fica claro que o problema da senha não é apenas de segurança. Certamente, trata-se também de uma questão crucial de eficiência operacional.
Como funcionam as passkeys na prática
Desenvolvida sob padrões abertos da FIDO Alliance e do W3C, a tecnologia de passkeys substitui a verificação tradicional baseada em algo que o usuário sabe por pares de chaves criptográficas. Com efeito, essas chaves são vinculadas diretamente ao serviço de origem. Isso significa que a chave privada nunca é enviada ou armazenada em servidores externos, o que elimina boa parte dos vetores de ataque tradicionais na autenticação sem senha.
Na prática, o processo de login acontece localmente, no próprio dispositivo do usuário. Para isso, utilizam-se leitores de biometria já presentes em computadores e celulares atuais, como Windows Hello, Face ID ou Touch ID. Além do mais, também é possível utilizar chaves de segurança físicas para cenários que exigem um nível ainda maior de controle.
Ganhos mensuráveis para a empresa
Os números associados à adoção de passkeys em ambiente corporativo ajudam a explicar por que essa tecnologia deixou de ser nicho. Comparada ao modelo tradicional, a autenticação sem senha muda significativamente a equação de custo e proteção no ambiente corporativo:
- Resistência a ataques de phishing e interceptação superior a 99%, contra taxas de 15% a 30% da senha tradicional.
- Redução de até 77% nos chamados de suporte relacionados a acesso e redefinição de credenciais.
- Processo de login até 3 vezes mais rápido que senha comum, e até 8 vezes mais rápido que fluxos tradicionais de autenticação multifator.
- Mais de 5 bilhões de passkeys já em uso globalmente, com 68% das empresas em processo de implantação da tecnologia.
Do ponto de vista estratégico, esses ganhos não se limitam à área de segurança. Portanto, eles também liberam a equipe de TI de tarefas repetitivas, permitindo que o time se dedique a iniciativas de maior valor para o negócio.
O caminho de adoção para empresas que já usam Microsoft 365
Para organizações que já operam dentro do ecossistema Microsoft, o caminho para autenticação sem senha costuma ser mais simples do que parece. Recursos como o Windows Hello for Business já estão disponíveis dentro de licenças que muitas empresas já possuem, o que permite uma adoção gradual, começando por grupos específicos antes de expandir para toda a base de usuários.
Essa transição, quando bem planejada, não exige substituir toda a infraestrutura de identidade de uma vez. Pelo contrário, funciona melhor como um processo incremental, testado primeiro em áreas críticas, como financeiro e diretoria, antes de se tornar padrão para toda a empresa.
De experimento a padrão de mercado
A consolidação de passkeys como padrão de indústria mostra que a autenticação sem senha deixou de ser uma aposta arriscada para se tornar prática recomendada. Empresas que adiam essa transição continuam pagando, todos os meses, o custo invisível de manter um modelo de autenticação que já demonstrou suas limitações.
Mais do que uma atualização tecnológica pontual, a adoção de autenticação sem senha representa uma mudança na forma como a empresa entende segurança de acesso. Em vez de depender da memória e da disciplina de cada colaborador, o controle passa a residir em mecanismos criptográficos que nem o usuário mais bem-intencionado consegue comprometer por engano.
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