Os riscos do Shadow IT e do uso não controlado de inteligência artificial 

O uso de ferramentas não autorizadas expõe dados, aumenta custos e compromete a governança tecnológica

A ausência de governança tecnológica cria um vácuo de autoridade que é rapidamente preenchido pela iniciativa individual. Colaboradores buscam ferramentas que facilitem seu trabalho, gerentes contratam softwares para suas equipes e áreas inteiras operam com sistemas que a TI desconhece. Esse fenômeno, conhecido como Shadow IT, tornou-se ainda mais complexo em 2025 com o surgimento da Shadow AI: o uso não autorizado de ferramentas de inteligência artificial que processam dados corporativos sensíveis. O que começa como tentativa de aumentar produtividade transforma-se em risco sistêmico, com impactos financeiros e de segurança que podem comprometer a continuidade do negócio. 

O que é Shadow IT e por que ele persiste 

Shadow IT refere-se ao uso de softwares, dispositivos e serviços em nuvem sem o conhecimento ou aprovação do departamento de tecnologia. Um colaborador que contrata um serviço de armazenamento em nuvem gratuito para compartilhar arquivos grandes, uma equipe que assina uma ferramenta de gestão de projetos por conta própria ou um gestor que utiliza um aplicativo de mensagens não homologado para comunicação interna são exemplos clássicos desse fenômeno. 

A principal razão pela qual o Shadow IT persiste é a percepção de que a TI corporativa é lenta, burocrática ou incapaz de atender às necessidades das áreas de negócio. Quando um departamento precisa de uma solução rápida e o processo oficial demora semanas, a tentação de resolver o problema por conta própria é grande. O problema é que essas decisões individuais criam pontos cegos de segurança, duplicação de gastos e fragmentação de dados. 

Financeiramente, a falta de governança é um ralo de recursos. Estudos indicam que cerca de 30% dos gastos em nuvem são desperdiçados em recursos ociosos, instâncias superdimensionadas ou serviços duplicados que continuam sendo faturados por falta de monitoramento. Além disso, quando diferentes áreas contratam soluções semelhantes de forma descoordenada, a empresa perde poder de negociação e paga mais caro por licenças que poderiam ser centralizadas. 

Shadow AI: a nova fronteira do risco 

Em 2025, o conceito de Shadow IT evoluiu para uma ameaça ainda mais complexa: a Shadow AI. Ferramentas de inteligência artificial generativa, como modelos de linguagem públicos, tornaram-se extremamente populares. Colaboradores utilizam essas plataformas para escrever e-mails, gerar relatórios, revisar contratos, criar apresentações e até analisar dados financeiros. O problema é que muitas dessas ferramentas não foram homologadas pela empresa e não possuem garantias de privacidade adequadas. 

Quando um colaborador insere dados confidenciais em uma IA pública, ele está potencialmente expondo informações estratégicas da empresa. Planilhas financeiras, códigos-fonte, estratégias de marketing, listas de clientes e documentos jurídicos podem ser utilizados para treinar modelos globais, ficando acessíveis a concorrentes ou sendo expostos em caso de vazamento de dados. 

Relatórios recentes apontam que o uso não autorizado de ferramentas de IA pode adicionar mais de R$ 1 milhão ao custo total de uma violação de dados. Além disso, 97% das violações envolvendo IA ocorreram em sistemas que não possuíam controles de acesso ou governança adequados. A tecnologia está sendo adotada mais rápido do que a capacidade das empresas de protegê-la, criando uma janela de vulnerabilidade crítica. 

Os custos financeiros e operacionais da não-governança 

A diferença financeira entre empresas com e sem governança tecnológica é mensurável. Organizações que não possuem governança de IA enfrentam custos significativamente mais altos em caso de violação de dados, enquanto aquelas com governança robusta conseguem reduzir esses custos em milhões de reais apenas por estabelecer regras claras e ferramentas monitoradas. 

Além dos custos diretos de violação, a falta de governança gera desperdícios operacionais: 

  • Duplicação de licenças: diferentes áreas contratam softwares semelhantes sem coordenação central, pagando múltiplas vezes por funcionalidades equivalentes. 
  • Recursos ociosos: serviços em nuvem continuam ativos e sendo faturados mesmo após projetos serem abandonados, porque não há monitoramento centralizado. 
  • Incompatibilidade de sistemas: ferramentas não homologadas dificultam a integração de dados, gerando retrabalho manual e perda de eficiência. 
  • Exposição a ataques automatizados: cibercriminosos utilizam IA generativa para criar campanhas de phishing altamente convincentes em minutos, reduzindo drasticamente o tempo de preparação de ataques. Empresas sem governança estão desarmadas contra adversários que utilizam IA como arma. 

Como implementar governança sem burocratizar 

A solução para Shadow IT e Shadow AI não é proibir o uso de ferramentas modernas, mas sim estabelecer governança clara e processos ágeis. Colaboradores precisam de soluções eficazes para trabalhar. Quando a TI corporativa não oferece alternativas viáveis, o Shadow IT é inevitável. A governança eficaz equilibra controle e flexibilidade. 

As práticas essenciais incluem: 

  • Catalogação de ferramentas: identificar quais softwares e serviços estão sendo utilizados na empresa, mesmo que não oficialmente. 
  • Avaliação de riscos: classificar as ferramentas descobertas por nível de risco, considerando segurança, privacidade e conformidade regulatória. 
  • Oferta de alternativas homologadas: quando colaboradores utilizam ferramentas não autorizadas porque a TI não oferece algo equivalente, a solução é homologar opções corporativas que atendam às necessidades. 
  • Políticas claras de uso de IA: estabelecer diretrizes sobre quais tipos de dados podem ser inseridos em ferramentas de IA, quais plataformas são permitidas e como proteger informações sensíveis. 
  • Monitoramento contínuo: implementar ferramentas de FinOps para monitorar gastos em nuvem e identificar serviços não autorizados antes que se tornem passivos financeiros. 

A governança não precisa ser burocrática. Pode ser ágil, colaborativa e orientada às necessidades do negócio. O importante é que exista visibilidade sobre o que está sendo utilizado, controle sobre dados sensíveis e clareza sobre as regras de uso. 

Governança como vantagem competitiva 

Empresas que implementam governança tecnológica não apenas reduzem riscos e custos. Elas ganham capacidade de tomar decisões mais rápidas e informadas, porque sabem exatamente quais ferramentas estão sendo utilizadas, quanto cada uma custa e como os dados fluem pela organização. Essa visibilidade permite otimização contínua, negociação mais eficaz com fornecedores e resposta mais ágil a mudanças de mercado. 

Do ponto de vista estratégico, governança é transparência. E transparência é condição para crescimento sustentável. Empresas que enxergam sua tecnologia conseguem planejar melhor, investir com mais precisão e crescer com menos riscos. Empresas que operam no escuro desperdiçam recursos, acumulam passivos e enfrentam crises evitáveis. A escolha entre governança e ausência de governança é, no fim, a escolha entre controle estratégico e deriva operacional. 

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